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Busca por genérico contra leishmanioses

Pesquisadores da Fiocruz estão buscando desenvolver um medicamento genérico para o tratamento das leishmanioses. A droga seria chamada antimoniato de meglumina. Os resultados dos testes foram comparados a medicamentos de marca e mostraram-se promissores, sendo semelhantes in vitro e in vivo.

Os resultados foram publicados no periódico Memórias do Instituto Oswaldo Cruz e segundo os autores, "O protozoário leishmania causa um espectro variável de doenças que afetam 12 milhões de pessoas em todo o mundo”.

O tratamento era feito há 60 anos com medicamentos à base de sais orgânicos de antimônio pentavalente. Atualmente, tem-se formulações de antimônio pentavalente, o antimoniato de meglumina e estibogluconato de sódio. A administração é via intramuscular ou intravenosa. Entretanto, os custos destes medicamentos são elevados.

“Outro desafio ainda maior é a garantia de disponibilidade do medicamento, pois a indústria farmacêutica freqüentemente ameaça interromper sua produção por se tratar de um produto com baixo retorno financeiro, já que a leishmaniose afeta, sobretudo, indivíduos de baixo poder aquisitivo. Por isso, a leishmaniose é considerada doença negligenciada”, explicam os pesquisadores.

O tratamento das leishmanioses, que requer injeções diárias durante 20 a 40 dias, pode custar até US$ 200 por paciente. Trata-se de uma quantia considerada elevada para o sistema público de saúde. “Para se ter uma dimensão do problema no Brasil, são realizados no país aproximadamente 38 mil tratamentos anuais”, dizem os pesquisadores.

Método alternativo para produção do medicamento
O Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos) – unidade da Fiocruz responsável por pesquisa, desenvolvimento tecnológico e produção de medicamentos – criou um processo alternativo para produzir o antimoniato de meglumina.

Os quatro lotes da substância sintetizados foram avaliados na Fiocruz Minas Gerais contra L. chagasi e L. amazonensis, estando estes protozoários no estágio de desenvolvimento chamado de amastigota. Os quatro lotes apresentaram resultados semelhantes, e apenas um foi usado no teste seguinte, que consistiu na avaliação da substância contra macrófagos (células do sistema imunológico) infectados por L. chagasi, L. amazonensis e L. braziliensis. Por fim, a substância foi administrada, por via intramuscular, a hamsters que exibiam lesões cutâneas provocadas por L. braziliensis.
Tanto nos testes in vitro como nos testes in vivo, a substância produzida em Farmanguinhos obteve resultados similares aos observados para o medicamento de marca.

Fonte: Agência Fiocruz

Postado por Fabrício Marques no(a) quinta-feira, 23 de abril de 2009 às 13:14. Categoria: . Você pode acompanhar quaisquer respostas a esta postagem através do RSS 2.0. Fique à vontade para deixar um comentário.

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